Imaginamo-nos seres autónomos e isolados e esquecemos que sem o ar que respiramos aos alimentos que ingerimos nem sequer teríamos corpo. Tudo o que somos existe em interligação com o mundo de que fazemos parte e tudo o que fazemos tem impacto no mundo. O desequilíbrio dos elementos e funções constitutivas do nosso corpo resulta, sobretudo, do subestimar essa interligação, por força de carências ou excessos tantas vezes ditados por uma mentalidade que, mais do que não a compreender a interdependência, deixou de a sentir e, como tal, de a respeitar. 

É certo que essa ignorância é exacerbada pela insaciabilidade trituradora do consumismo, que alimenta um sentimento de insatisfação que imaginamos resolver pelo desenfrear da avidez, fechando um ciclo viciado que urge romper. Sem isso, dificilmente poderemos cuidar adequadamente do nosso bem mais precioso, uma vida feliz e saudável, e proteger o ambiente que o proporciona e que desbaratamos como se não houvesse amanhã. 

Desde a aurora da humanidade, inúmeras civilizações compreenderam em maior ou menor grau a interdependência que faz de nós aquilo que somos. Naturalmente, a nossa saúde depende de muitos fatores e nada pára a degradação natural que condena tudo o que nasce a envelhecer e morrer, mas esse conhecimento levou-nos a encontrar na natureza o que precisamos para viver tão saudáveis e tranquilos quanto possível. 

No mundo tecnológico e manipulador da natureza em que vivemos, precisamos de alçar a ciência a uma compreensão mais vasta e profunda da interdependência que reina, quer queiramos ou não. Precisamos de ir além da utilização de processos bioquímicos isolados e desligados, apenas focados em aspetos muito específicos de alguns mecanismos tardiamente revelados da doença. Precisamos de desenvolver uma teoria e prática médica focada na saúde global, que compreenda o lugar do ser humano (e de todas as formas de vida) na natureza e o quanto a natureza participa na sua saúde e bem-estar. Precisamos de restaurar a compreensão da interligação que nos ajuda a sair da prisão do egocentrismo doentio, promover comportamentos e hábitos saudáveis físicos e mentais, privilegiar a saúde preventiva por meios suaves e naturais, combater a cronicidade pelo restaurar do equilíbrio das funções orgânicas. 

É neste âmbito que todos os protagonistas da saúde natural têm uma importante palavra a dizer. Embora ainda não suficientemente escutada, estamos convictos de que será uma voz que ecoará em cada vez mais pessoas, até que se transforme num movimento global de esperança para este nosso mundo assoberbado de doenças e conflitos, devastação e poluição.




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