Esta é a prevenção que recomendo para este Verão: uma combinação de vitamina D (de extração natural), probióticos de estirpes devidamente identificadas, variadas e bem doseadas, e própolis, com uma higiene de vida adequada, bons períodos de repouso e lazer, se possível em contacto com a natureza, aprender a gerir o stress e dormir bem, manter uma alimentação saudável e tanto quanto possível sem “fake food” industrial e alimentos de origem animal.

Vitamina D
A importância da vitamina D é frequentemente mencionada, e com razão, porque esta vitamina contribui, entre outros, para o fortalecimento do sistema imunológico. No entanto, por vários motivos, a deficiência de vitamina D é muito comum, incluindo em Portugal, um país onde o sol brilha a maior parte do ano. Um suprimento suficiente de vitamina D é, portanto, importante ao longo da vida, desde o período de crescimento. Em idosos, especialmente em mulheres na pós-menopausa, o papel benéfico da vitamina D na ligação do cálcio ajuda a reduzir o risco de osteoporose e fraturas. De salientar que entre os vários fatores de risco identificáveis na infeção por SARS-CoV-2, apenas a deficiência de vitamina D é modificável. Vários estudos indicam que “por meio de suas interações com uma infinidade de células, a vitamina D pode ter várias maneiras de reduzir o risco de infeções agudas do trato respiratório e COVID-19: reduzindo a sobrevivência e a replicação dos vírus, reduzindo o risco de produção de citocinas inflamatórias, aumentando a concentração da enzima conversora de angiotensina 2 e mantendo a integridade endotelial. Quatorze estudos observacionais oferecem evidências de que as concentrações séricas de 25-hidroxivitamina D estão inversamente correlacionadas com a incidência ou gravidade de COVID-19. A evidência até ao momento geralmente satisfaz os critérios de Hill para causalidade num sistema biológico, a saber, força de associação, consistência, temporalidade, gradiente biológico, plausibilidade (por exemplo, mecanismos) e coerência, embora falte verificação experimental. Assim, a evidência parece suficientemente forte para que pessoas e médicos possam usar ou recomendar suplementos de vitamina D para prevenir ou tratar COVID-19 devido à sua segurança e ampla janela terapêutica”. (1)

Probióticos
Um artigo do The Lancet (2) conclui que “o uso de probióticos no tratamento da infeção por síndrome respiratória aguda grave por corona vírus 2 (SARS-CoV-2) tem implicações mais amplas. Embora os distúrbios gastrointestinais sejam frequentes no COVID-19, nada se sabe sobre a capacidade do SARS-CoV-2 de afetar a flora microbiana do hospedeiro. No entanto, estudos anteriores mostraram que a ACE2 expressa no epitélio intestinal regula a ecologia do microbioma intestinal por meio da homeostase de aminoácidos intestinais e que os recetores da ACE2 são marcadamente regulados para baixo pela entrada de SARS-CoV-2 nas células através da fusão da membrana. A regulação negativa de ACE2 pode, consequentemente, levar a uma microbiota alterada que confere suscetibilidade à inflamação do intestino. (…) Perante esta evidência, a bacterioterapia pode representar um recurso complementar para a prevenção e restauração do dano da mucosa intestinal da SARS-CoV-2 por meio da modulação da microbiota intestinal e diminuição da inflamação relacionada. Em outras infeções, como o HIV, em que a inflamação intestinal e o comprometimento da microbiota relacionado podem afetar a função da barreira epitelial intestinal, a bacterioterapia (por meio de compostos e metabólitos da superfície da microbiota) demonstrou inibir a apoptose, regular as vias de sinalização para produzir citocinas, manter a homeostase epitelial intestinal e permitir a recuperação da saúde da mucosa intestinal, atenuando assim a inflamação. Também um recente artigo conduzido por investigadores portugueses (3) conclui que “doentes hospitalizados com COVID-19 moderado e severo têm assinaturas microbianas ou disbiose intestinal e, pela primeira vez, que a diversidade da microbiota é apontada como um biomarcador para um prognóstico da severidade da doença por COVID-19.”

Própolis
Como referimos anteriormente, estudos conduzidos pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, São Paulo (4), demonstram que o própolis, particularmente a combinação padronizada e patenteada de própolis EPP-AF, reduziu para metade o tempo de internamento de doentes de COVID-19 com pelo menos 50% da capacidade respiratória afetada. Além disso verificou-se uma menor prevalência de sequelas, particularmente nos sistemas renais, “essa substância padronizada pode ainda diminuir a incidência de lesões renais, que pode ser um fator de risco para infetados pelo novo coronavírus. O grupo controle, que recebeu apenas o tratamento padrão, teve uma incidência de 23,8% contra 4,8% dos pacientes que ingeriram 800 mg/dia de própolis. (…) Também iremos analizar outros parâmetros, incluindo os anticorpos contra o vírus desenvolvidos pelo paciente. Além disso, o conhecimento adquirido através desta pesquisa abre perspetiva do uso do EPP-AF em outras doenças com potencial inflamatório”, referiu o professor David De Jong da FMRP. Estes resultados foram publicados pelo Journal of Biomedicine & Pharmacotherapy, uma das principais revistas da área no dia 20 de março de 2021.

  1. Evidence Regarding Vitamin D and Risk of COVID-19 and Its Severity. Joseph Mercola, William B Grant, Carol L Wagner. 2020 Oct 31;12(11):3361. doi: 10.3390/nu12113361.
  2. Probiotics and COVID-19. Giancarlo Ceccarelli, Carolina Scagnolari, F. Pugliese, Claudio M Mastroianni, G. d’Ettorre. The Lancet, August 01, 2020; doi.org/10.1016/S2468-1253(20)30196-5.
  3. Gut microbiota diversity and C-Reactive Protein are predictors of disease severity in COVID-19 patients. Conceição Calhau e outros. Front. Microbiol. | doi: 10.3389/fmicb.2021.705020
  4. Efficacy of propolis as an adjunct treatment for hospitalized COVID-19 patients: a randomized, controlled clinical trial. Marcelo Augusto Duarte Silveira, David De Jong, Andresa Aparecida Berretta e outros. Biomedicine & Pharmacotherapy doi: 10.1016/j.biopha.2021.111526



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