No começo, a digestão

O complexo processo de degradação de alimentos é essencial para permitir a assimilação dos alimentos ao nível do intestino. Para além de processos mecânicos, tais como a mastigação e o peristaltismo, há também substâncias químicas enzimáticas que garantem a degradação completa dos alimentos em moléculas absorvíveis pelo intestino.


Enquanto o duodeno absorve ferro, cálcio e alguns açúcares e vitaminas, o intestino delgado reabsorverá quase tudo o resto. Os alimentos que não são adequadamente degradados não ficam infelizmente neutros no sistema digestivo, acabando por entrar em putrefação ou mesmo fermentar, podendo causar desequilíbrios no ecossistema intestinal, bem como um excesso de toxinas com sérias consequências para o fígado.

Compreendemos melhor por que razão as enzimas têm um papel central no processo de desintoxicação: são elas que, ao participar na digestão adequada dos alimentos, permitem evitar novas intoxicações hepáticas. Se, em alguns casos, é suficiente adaptar a dieta favorecendo alimentos frescos e evitando alimentos industriais, para reforçar as enzimas, a suplementação pode também revelar-se interessante, em casos de deficit genético, por exemplo.

A fadiga é sem dúvida o mal do século. Os culpados?

A falta de exercício, a dieta desequilibrada ou um estilo de vida stressante… É nessas condições que a desintoxicação tem um papel a desempenhar. Ao aliviar o sistema digestivo e procurando uma dieta equilibrada, permitimos
que o corpo descanse e recupere dos excessos do passado. E se é habitual falar sobre desintoxicação na chegada da Primavera, não há realmente períodos específicos para fazer bem ao nosso corpo… Quando falamos em desintoxicação todo o corpo deve ser tido em consideração: estômago, intestino, rins, pulmões, pele, fígado. Todos estes órgãos comunicam entre si e o desequilíbrio intestinal pode rapidamente sobrecarregar as funções hepáticas e acabar por perturbar todo o sistema digestivo.

A flora intestinal, um equilíbrio precário.

Um ou dois dias após o nascimento, a flora microbiana começa a desenvolver e a revestir o tubo digestivo. Diferentes bactérias colonizam o cólon: uma flora de fermentação para a transformação dos hidratos de carbono e uma flora de putrefação que tem a seu cargo a transformação das proteínas. A primeira alimenta-se principalmente de fibras, enquanto a segunda metaboliza as proteínas a partir de diversos gases ou de sulfureto de hidrogénio, substâncias tóxicas que sobregargam o fígado. A dieta moderna, demasiado rica em açúcares e proteínas, pode portanto
sobrecarregar a flora de putrefação e criar o seu desequilíbrio, chamado disbiose. Por essa razão, como acompanhamento de tratamentos de desintoxicação, a suplementação probiótica pode ajudar a limitar o desenvolvimento de bactérias responsáveis pela produção de toxinas nocivas. Trata-se uma vez mais de tentar resolver o problema pela
raiz, para evitar “recaídas” alguns meses depois da desintoxicação do fígado.

O fígado, uma vítima colateral?

A má degradação dos alimentos, a disbiose ou permeabilidade intestinal, como explicado, produzirá um excesso de toxinas no corpo que serão recuperados pelo fígado, causando um excesso de trabalho neste órgão, o qual desacelerará significativamente o metabolismo hepático, diminuindo, portanto, as secreções biliares, a produção de enzimas e, em consequência, enfraquecendo o processo de digestão… um círculo sem fim! O fígado, exausto, deixará gradualmente passar muitos resíduos metabólicos para o sangue, sangue esse, “poluído”, que irá nutrir os nossos tecidos e órgãos
vitais. Felizmente, o organismo dispõe de vias de eliminação natural para eliminar essas substâncias nocivas. No entanto, assim que a capacidade de eliminação for excedida, essas substâncias depositam-se nos tecidos e causam vários distúrbios funcionais digestivos, e mesmo extra-digestivos, tais como dores musculares, infeções, perturbações comportamentais. Falar de desintoxicação, é apoiar o organismo na eliminação dessas substâncias, de modo a aumentar as suas capacidades de eliminação.




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