
Face à evidência científica crescente, a importância da microbiota na nossa saúde é hoje incontestável. A microbiota é constituída por 1012 a 1014 bactérias, leveduras, vírus e parasitas que vivem em simbiose com o nosso organismo (10 vezes mais do que o número de células especificamente humanas), de cerca de 200 a 400 espécies, que no seu conjunto pesam aproximadamente 2 kg.
A partir da nossa alimentação, com algum relevo para as fibras, a microbiota produz moléculas indispensáveis para o nosso metabolismo, como os indol (que entram na composição de substâncias importantes como a serotonina, a melatonina), certos neurotransmissores e ácidos biliares secundários.
As principais funções conhecidas da microbiota são a digestão (por via da fermentação dos alimentos), a barreira contra os patogénicos (por via da criação da camada de mucos que recobre a membrana intestinal), a síntese e metabolização de vitaminas e moléculas bioativas e a maturação do sistema imunitário (nas placas de Peyer1).
As fibras, bem como os polifenóis, servem de carburante e alimento aos microrganismos, pelo que são considerados como prebióticos, participando na saúde da microbiota e potencializando o efeito benéfico dos probióticos. Até há uns anos, havia alguma controvérsia sob o real benefício dos probióticos na microbiota, contudo, a evidência científica comprovou-o de um modo indubitável.
Contudo, as fibras podem ser desaconselhadas em caso de cólon irritado ou inflamação intestinal, pois podem aumentar o volume fecal, acelerar o trânsito e irritar a mucosa já inflamada, agravando a diarreia, dor abdominal, gases e sensação de inchaço. Muitas das fibras consumidas por via da alimentação ou suplementação são também Fodmap2, do inglês Fermentable Oligosaccharides Disaccharides Monosaccharides And Polyols – oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis. Os Fodmap são um conjunto de hidratos de carbono de cadeia curta, açúcares simples ou compostos, que a maior parte das pessoas digere bem, mas que nalgumas pessoas fermentam muito no intestino grosso, causando gases, inchaço, dor abdominal e alterações do ritmo intestinal.

Uma boa solução para contornar este problema, ou simplesmente para fornecer fibras de grande qualidade e altamente toleradas, é a utilização de fibras previamente fermentadas. A fermentação é um processo natural que aumenta a biodisponibilidade de maneira natural, como tal é diferente de liposomas, fitosomas, nanoestruturas, ciclodextrina, etc. Tem a vantagem de fornecer fibras livres da sua matriz natural, de fragmentar moléculas maiores, de bioativar precursores (como vitanólidos, etc.) e de converter os probióticos em posbióticos (ácidos gordos de cadeia curta, etc.).
As fibras fermentadas são Fodmap friendly, pelo que podem ser utilizadas mesmo em caso de inflamação intestinal, podendo mesmo constituir um importante tratamento complementar dessas condições. Outra vantagem é a sua dose eficaz enquanto prebióticos ser muito inferior em comparação com outro tipo de fibras FOS/GOS clássicas: 500mg a 1g por dia, para 2 a 10g de inulina, etc.
Entre a fibras fermentadas, realçamos a patente Fibriotics®3, constituída por uma mistura de fibras 36 frutos e legumes fermentados (maçã, cenoura, amora, ananás, rabanete, limão, laranja, beterraba, ameixa, ameixa seca, maracujá, melancia, bagas de goji, acerola, espargo, banana, mirtilo, groselha-negra, brócolos, cereja, baga de arónia, arando, groselha, uva, toranja, pilriteiro, jujuba, lichia, melão, papaia, pêssego, pera, romã, framboesa, morango, tomate).

- As placas de Peyer são pequenas “ilhas” distribuídas sob a mucosa intestinal com alguns centímetros de comprimento. Fazem parte do tecido linfático associado ao intestino e atuam como zonas de vigilância imunitária, captando antigénios (bactérias e vírus) graças a células especializadas (células M), promovendo a tolerância imunitária (reconhecem o que é inócuo) e a resposta contra patogénicos (estimulam a produção de anticorpos (especialmente IgA) e a ativação de linfócitos T e B no intestino.
- Alimentos Foodmap a evitar em caso de sensibilidade intestinal. Legumes: alho, cebola, couves, ervilhas, etc.; Frutos: ameixas, melancia, maçãs, pêssegos, etc.; Frutos secos: amêndoas, pistácios; Lacticínios: gelados, lactose; Cereais: cereais de pequeno-almoço, massas, piza, pão, panados (peixe, carne)…
- Fibriotics® encontra-se no produto Fibraflor (500mg por cápsula) e Bacteflor Plus (100mg por cápsula, associado ao complexo probiótico bacteflor – associação a que se chama um simbiótico).





